Comunicação Não-Violenta

Como praticar a Comunicação Não-Violenta?

A maior parte dos conflitos que temos com outras pessoas, seja em ambientes pessoais ou corporativos, é causado não propriamente pela divergência de opiniões, e sim pela forma como expomos nossas ideias.

Porém, quando nos propomos a falar sem julgamento e escutar genuinamente na essência, temos a oportunidade ímpar de vivenciar relacionamentos mais saudáveis.

Tendo isso em vista, o psicólogo Marshall Rosenberg desenvolveu o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV) com o intuito de estimular as pessoas a construírem relações mais empáticas. Neste post explicamos um pouco mais sobre esse método e damos dicas, com base nas quatro etapas da Comunicação Não-Violenta, de como criar relações mais pacíficas. Confira a seguir:

Afinal, o que é Comunicação Não-Violenta?

Esse conceito parte do pressuposto de que, embora desejemos a harmonia e a cooperação, o confronto com familiares, colegas de profissão e demais pessoas com opiniões ou culturas diferentes da nossa, nos induz a reações repetitivas e automáticas que perpetuam ciclos de emoções dolorosas. Raiva, punição, vergonha e culpa são alguns dos sentimentos que fazem parte dessa lógica comportamental.

Diante disso, a Comunicação Não-Violenta se baseia em habilidades de linguagem que reforçam a conexão do indivíduo com suas necessidades profundas, para que o mesmo possa deixar claro para o outro o que deseja e
desse modo seja capaz de estabelecer um diálogo mais assertivo.

Caso queira tornar-se mais consciente em suas respostas, continue a leitura e descubra como praticar a Comunicação Não-Violenta.

 

1. Observe de maneira descritiva e não julgadora

Há uma sutil diferença entre afirmar e julgar. O primeiro verbo se refere a uma descrição de fatos sem generalizações ou exageros linguísticos como “sempre”, “nunca”; e “jamais”. Já a segunda palavra está carregada de adjetivos que transformam um retrato particular sobre alguém numa história taxativa e geralmente parte de um ponto de vista arbitrário.

Por exemplo, a frase “Puxa vida, você nunca participa das confraternizações da empresa” tem um tom julgador, ao passo que, ao dizer “Puxa vida, você só veio duas vezes esse ano nas confraternizações. Sentimos saudade da sua presença!”, o gestor está praticando uma Comunicação Não-Violenta, pois ao invés de criticar o comportamento do colaborador está exprimindo sentimentos e estimulando o funcionário a participar das próximas celebrações.

Em outras palavras, evite fazer julgamentos, pois isso cria uma reação defensiva e exercite sua mente para que, cada vez mais, você seja capaz de expressar-se com compaixão.

 

2. Afirme o sentimento que a observação lhe desperta

Experimente nomear as suas emoções, isso faz com que o outro compreenda com mais facilidade o que você está sentindo. Tem enfrentando problemas de convivência com algum colega de trabalho? Diante de circunstâncias assim, a maioria de nós é impelido a fazer acusações e questionamentos.

Ao invés de assumir uma postura inquisitiva e propensa a interrogações tais como: “Por que você não fala comigo? Por acaso te fiz alguma coisa?”, treine identificar quais sensações essa situação lhe desperta, chame o colega para conversar e expresse seus sentimentos. Uma boa maneira de iniciar o diálogo seria: “Notei que temos conversado muito pouco (observação). Estou preocupado com isso”. Esse tom propicia a conexão entre os interlocutores e estimula ambos a buscarem um espírito de respeito mútuo e cooperação.

 

3. Fale dos desejos e necessidades que trazem esses sentimentos à tona

Ao compreender os seus sentimentos, você pode encontrar as necessidades e desejos por trás deles. Fazer declarações a respeito disso o ajudará a ter clareza sobre o que ocorre no seu coração ou no do outro no instante da
conversa.

Ao enfrentar um conflito no trabalho, uma pessoa que ainda está imersa no modo de se comunicar julgador diria: “Por que você vira a cara quando eu passo?”. Consegue notar a agressividade e estímulo ao confronto? Outro caminho mais conciliador seria utilizar as seguintes palavras: “Vejo que você afasta o olhar enquanto falo e anda falando tão baixo que mal posso escutá-lo (observação). Me sinto desconfortável (sentimento), pois preciso de um pouco de contato agora”. Bem melhor, não é mesmo?

 

4. Faça um pedido concreto para que a ação encontre a necessidade identificada

Por fim, peça de maneira clara e específica para a pessoa fazer algo concreto que irá satisfazer o desejo ou necessidade que acabou de identificar.

Um exemplo: ao invés de dizer “não quero que grite”, seria mais efetivo pedir que “fale num tom mais baixo”.

Para que o pedido não tenha um tom de exigência, permita que a outra pessoa diga não ou proponha alternativas.

E caso necessite de ajuda para se comunicar melhor (clique aqui), conte conosco. Teremos muito prazer em lhe ajudar a conectar-se melhor com os outros ao seu redor.

Qual é a sua forma de comunicar? Passivo, passivo-agressivo, agressivo ou assertivo?

Qual é a sua forma de comunicar?

Passivo, passivo-agressivo, agressivo ou assertivo?

Exatamente isso, e dependendo da forma como nos comunicamos temos mais ou menos assertividade em nossas conexões.
Muito se fala em ser assertivo, em ter assertividade em ser adulto emocionalmente. Já escutou este termo por aí?

 

“Assertividade é a capacidade que uma pessoa possui de se expressar de forma franca e sincera sem negar os direitos dos outros.”

 

Ou seja, ser assertivo é conseguir expressar-se (falar o que está sentindo, no entanto no tom, forma e contexto adequado. Acha possível tornar-se uma pessoa assertiva na sua comunicação?

Minha resposta é que SIM! Sabe porquê? Por que assertividade é uma habilidade, portanto possível de ser desenvolvida.
Como desenvolver? Primeiro reconhecendo como sou, como me comunico, trazendo para a luz da consciência em qual dos 4 mecanismos estou me comunicando hoje.

 

Então vamos lá as 4 formas de comunicação:

1. Comportamento passivo

Nesta hipótese a pessoa concorda com o que é dito ou com os acontecimentos à sua volta, mesmo não concordando.
Principais características: normalmente são tímidas, raramente se envolvem, tem vergonha de perguntar porquê, tem medo de dizer não, sentem falta de confiança e raramente reclamam (mesmo descontentes).

Como são os comportamentos dessa pessoa?

Guardam quase tudo o que sentem, tem paciência “sapo boi”, engolem literalmente os “sapos” da vida. Mas quando chegam no seu limite, explodem. Vão para o outro extremo, ocorrendo assim os rompimentos.

Sabe aquela pessoa que nunca reclama, e quando menos se espera ela pede demissão ou pede para se separar? Esse é o comportamento da pessoa que tem como predomínio de comportamento passivo.

 

2. Comportamento passivo-agressivo

Estas são aquelas pessoas que sempre têm algo a dizer, no entanto nunca dizem. Elas não tem coragem para expressar o que pensam e reclamam pelas costas.

Suas principais características são: evitam conflito, raramente se manifestam, no entanto são agressivos por traz dos panos. São os famosos (as) “duas caras”, considerados falsos. Ficam em cima do muro, não manifestam sua opinião, no entanto falam de você pelas costas

Como são os comportamentos dessa pessoa?

Essa pessoa evita conflito, no entanto é “rebelde e imatura emocionalmente”. Não tem coragem de expressar o que sente e pensa, no entanto gera intriga com seu comportamento “em cima do muro”. Essa pessoa precisa investir em seu autoconhecimento, tomar consciência do quanto esse comportamento impacta em seus relacionamentos e sair do papel de vítima. Precisa internalizar e ressignificar que, falar para “os lados” não resolve, só desagrega e gera falta de confiança para as pessoas a sua volta.

 

3. Comportamento agressivo

Aqui ocorre o oposto, a pessoa responde de forma agressiva a qualquer situação, gerando conflitos desnecessários e muitas vezes não percebidos pelo próprio.

Suas principais características são: tem opiniões bem fortes e não tem medo de expressá-las, mesmo quando não lhe é solicitado.

Como são os comportamentos dessa pessoa?
Sabe aquela pessoa que é grosseira e ríspida e diz assim: “sou sincero, falo na cara mesmo, não importa se vão ou não gostar”.

Conhece alguém assim? Então, esse é o comportamento agressivo, na verdade a pessoa até é sincera, no entanto a forma como se expressa gera prejuízos e conflitos nas suas relações interpessoais muitas vezes irreversíveis, afastando as pessoas.

Na foto deste artigo demonstro uma imagem para exemplificar um comportamento agressivo. A pessoa agressiva intimida, gera medo e distanciamento nas pessoas.

 

Você se identifica com o comportamento agressivo? Isso te prejudica?

 

4. Comportamento assertivo

Chegamos então no melhor dos mundos, o comportamento ASSERTIVO!
Aqui a pessoa expressa de forma adequada todos os seus pensamentos e sentimentos, não perdendo de vista uma tentativa de solução para o eventual problema.

Suas principais características são: fala por si mesmo (a), usa linguagem corporal apropriada, mantém contato visual e não têm medo de perguntar por quê.

Como são os comportamentos dessa pessoa?
É uma pessoa íntegra com seus sentimentos e emoções, ou seja, consegue viver em harmonia com o pensar, sentir e agir. Essa pessoa vive de forma coerente, se expressa com gentileza e firmeza ao mesmo tempo. Demonstra segurança em sua fala, sabe o que quer!

A assertividade é importante para você?

 

Como posso me tornar mais assertivo?

Uma forma prática para treinar a comunicação assertiva é saber o que quer e falar por si mesmo usando frases com os verbos:

  • “eu compreendo”
  • “eu percebo”
  • “eu observo”
  • “eu sinto”
  • “eu vejo”
  • “eu quero resolver”

 

Não tenha medo de perguntar por quê?

Saiba dizer “não” acompanhado de frases que demonstrem como você se sente. Mas não se sinta obrigado a ter que se justificar sempre e não peça desculpas, pois a desculpa enfraquece sua posição. Diga “não” sempre firme e calmamente combinando seu tom com a mensagem.

Um maior número de respostas assertivas levará a pessoa a melhorar seus relacionamentos, já que haverá chances menores de frustrações, conflitos ou mal entendidos, uma vez que ele estará na maior parte do tempo exprimindo corretamente seus sentimentos e emoções.

Agora que você já trouxe para a luz de consciência o conceito dos 4 comportamentos lhe provoco a pensar: como você está se comunicando hoje? Está agindo no arquétipo do adulto e sendo assertivo? Leia esse artigo.

Boa notícia, comunicação assertiva é uma habilidade, totalmente possível de ser desenvolvida!

 

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Um abraço coach,
Vanusa Cardoso.
Psicóloga, Master coach e especialista em processos grupais.